Entenda o que é o HPV e suas implicações
Urologista do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida esclarece dúvidas sobre o tema
Da Redação - Publicado: 18/01/2017 - Atualizado: 22/08/2017

HPV. Essa sigla tem sido bastante utilizada nos meios de comunicação, graças à notícia de que o SUS começou a vacinar meninos também contra a doença – a vacinação para meninas já era realizada. 

Apesar de estar se tornando familiar o nome HPV, nem sempre as pessoas sabem exatamente do que se trata e suas implicações. Afinal, o que é HPV?

Para responder essas e outras questões sobre o tema, falamos com o médico urologista Aguinaldo Nardi, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida.

Instituto Lado a Lado pela Vida - Dr. Aguinaldo, o HPV está nos noticiários, as pessoas começam a conhecer mais esse nome que até alguns anos era mais estranho a grande parte da população. Mas, apesar disso, ainda há muitas dúvidas sobre essa doença. O que é HPV?
Dr. Aguinaldo Nardi – HPV significa human papillomavirus – ou, na tradução, papiloma vírus humano. Ele é um vírus que causa infecções na pele e mucosas, podendo causar verrugas. Existem mais de 100 subtipos de HPV – sendo que 40 destes podem causar infecções genitais tanto em homens quanto em mulheres.
 
LAL – Existem outras consequências da presença do HPV no organismo além das verrugas e infecções?
Dr. Aguinaldo Nardi – Sim. A infecção pelo HPV é bastante frequente. Estima-se que ocorram 5 milhões de casos novos por ano nos EUA e na maioria dos casos o vírus produz uma verruga na região genital. No entanto, é essencial ter acompanhamento de um médico (urologista para homens e ginecologista para mulheres), pois existem alguns subtipos que têm potencial oncogênico (capazes de causar cancer) e estão relacionados  com cancer de pênis, colo de útero, vagina, ânus, vulva, boca e orofaringe.
 
LAL – Então, dependendo do tipo de vírus há maior ou menor risco de câncer.
Dr. Aguinaldo Nardi – Exato. Os vírus HPV podem ser divididos em de baixo risco e de alto risco. Os de baixo risco (HPV-6, HPV-11 entre outros) causam somente verrugas. Os subtipos de alto risco (entre eles HPV-16, HPV-18), além das lesoes genitais, estão associados a maior risco de desenvolver câncer.
 
LAL – E como o vírus chega até o nosso organismo?
Dr. Aguinaldo Nardi – A forma mais frequente de transmissão do vírus HPV é sexual, pelo contato de pele com pele, quando a pele ou mucosa da pessoa que não tem o vírus entra em contato com alguém que tenha. Por isso o HPV é considerado uma DST (doença sexualmente transmissível). Há situações menos frequentes de transmissão da mãe para o filho durante o parto – é o que chamamos de transmissão vertical.

LAL – Então apenas no contato sexual se contrai o vírus?
Dr. Aguinaldo Nardi – Não há confirmação de transmissão oral ou pelas mãos, por exemplo. Os estudos indicam que a infecção começa na camada mais profunda da pele. Por isso, durante a relação sexual, quando ocorrem microtraumatismos na pele, as camadas mais profundas são expostas, aumentando o risco. Vale lembrar que Segundo a OMS o HPV é classificado como doença frequentemente transmitida pelo ato sexual e não obrigatoriamente. Portanto, outras formas de contaminação podem ocorrer.

LAL – Como evitar se contaminar com o HPV?
Dr. Aguinaldo Nardi – Como a principal forma de transmissão é pela relação sexual, para evitar a contaminação é essencial fazer sexo com proteção – ou seja, usar preservativo em todas as relações. Há alguns fatores que aumentam o risco, como múltiplos parceiros e a presença de outras DSTs. É preciso se cuidar sempre, porque mesmo que não haja sintomas, o vírus pode ser transmitido. Normalmente os sintomas se manifestam de 2 a 8 meses depois da infecção, mas ele pode ficar incubado (presente sem qualquer manifestação) por até 20 anos. Nesses casos, a pessoa não tem sintoma, mas transmite o HPV. Por isso é tão importante a vacinação contra o HPV em meninas e meninos.

LAL – Há como saber se a pessoa está contaminada?
Dr. Aguinaldo Nardi – O médico pode perceber os sintomas do HPV vendo verrugas ou lesões na pele. Às vezes são necessários exames como colposcopia, vulvoscopia e peniscopia para detectar. Há também testes genéticos que informam o tipo e até indicam se há potencial para desenvolver o câncer.

LAL – Como é feito o tratamento do HPV?
Dr. Aguinaldo Nardi – O tratamento varia de acordo com a manifestação do vírus – se é lesão ou verruga -, onde está localizada e em que grau. É importante saber que o tratamento visa retirar as verrugas – não há tratamento para eliminar o HPV. Por isso é tão importante prevenir.

Também é bom salientar que a infeccao pelo HPV  não confere imunidade, por ser este um vírus de superfície. Portanto, a vacina está indicada mesmo naqueles casos em que já existiu a contaminação.
 

Rodape

Saúde